Fonte: Site da Sociedade Brasileira de Reumatologia

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) lançou em janeiro um guia com orientações sobre a vacinação contra o SARS-CoV-2 de pacientes com doenças reumáticas imunomediadas (DRIM). [1] O documento é uma iniciativa da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da SBR, coordenada pela Dra. Gecilmara Pileggi.

O guia é composto de 16 perguntas e respostas selecionadas em consenso por 28 especialistas da SBR, que, além dos membros da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas, contou com membros da diretoria e da força-tarefa contra a covid-19 da SBR.

A decisão sobre a vacinação contra o SARS-CoV-2 de pacientes com doenças reumáticas imunomediadas deve ser, preferencialmente, compartilhada com o reumatologista.

Em entrevista ao Medscape, os membros da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da SBR explicaram que, com relação à vacina contra a covid-19, ainda não há um grupo específico para o qual a imunização seja contraindicada. “As plataformas que vêm sendo utilizadas para o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 não contêm vírus vivos atenuados, sendo seguras para pacientes imunossuprimidos em geral”, destacaram os médicos da SBR, lembrando, no entanto, que é necessário levar em consideração qual doença reumática imunomediada o paciente apresenta, o grau de atividade da doença e o nível de imunossupressão.

O cenário ideal para a vacinação desses pacientes, segundo os especialistas, seria doença em remissão ou em baixa atividade, associada ao uso de medicamentos que induzam baixa ou nenhuma imunossupressão. Como, na maioria dos casos, esse quadro pode ser difícil de ser alcançado durante a pandemia de covid-19, os autores reforçaram a importância de a decisão acerca da imunização ser individualizada caso a caso e compartilhada entre o reumatologista assistente e o paciente, para escolher o melhor momento para este ser vacinado.

Como ainda não há dados disponíveis sobre a segurança e eficácia da vacina contra o SARS-CoV-2 em indivíduos imunocomprometidos, sendo possível que eles tenham uma resposta imunológica mais baixa à vacina, a comissão recomenda que tais pacientes discutam os riscos e benefícios da imunização com um profissional de saúde para determinar se devem receber a vacina.

“Vale ressaltar e considerar na decisão que pacientes com doenças imunomediadas em atividade podem estar em maior risco de evoluir com covid-19 grave. Portanto, não é aconselhável que as pessoas imunocomprometidas ou sob tratamento com medicamentos imunossupressores suspendam suas medicações a fim de serem vacinadas”, explicaram os médicos da SBR.

A incidência, gravidade e letalidade da covid-19 nos pacientes com doenças reumáticas imunomediadas não estão bem estabelecidas. Segundo os membros da comissão, a análise interina das primeiras oito semanas do registro ReumaCoV Brasil, [2] coorte de pacientes com covid-19 e doenças reumáticas imunomediadas acompanhadas no país, demonstrou que, dentre os 334 pacientes incluídos, ter mais de 50 anos de idade, diabetes, doença renal, usar glicocorticoides orais e realizar pulsoterapia com metilprednisolona e/ou ciclofosfamida foram fatores associados a maior frequência de piores desfechos na infecção por SARS-CoV-2. Já o inibidor do fator de necrose tumoral (iTNF) foi associado a menor prevalência de hospitalização e menor necessidade de internação em unidade de terapia intensiva. “Esses dados estão relacionados às primeiras semanas de transmissão viral comunitária, um achado relevante que simula a curva epidemiológica pandêmica no Brasil”, explicaram os membros da comissão.

Os médicos lembraram ainda que a publicação do registro de relatórios médicos da covid-19 Global Rheumatology Alliance, [] 3] que descreveu 600 casos do novo coronavírus nos pacientes com doenças reumáticas em 40 países, reportou como sendo fatores associados a maior risco de hospitalização por SARS-CoV-2: idade avançada, presença de comorbidades e uso de doses mais altas de prednisona (≥ 10 mg/dia). Por outro lado, não houve associação entre história de uso de anti-inflamatórios não esteroides (aines) ou antimaláricos e hospitalização por covid-19. A monoterapia com medicamentos antirreumáticos modificadores de doença biológicos ou sintéticos alvo específicos (DMARDb/ts) foi associada a menor chance de hospitalização, um efeito amplamente impulsionado por terapias que bloqueiam o fator de necrose tumoral (anti-TNF).

Com base nesses achados e levando em consideração o reduzido número de vacinas contra o SARS-CoV-2 disponíveis até o momento no Brasil, uma das recomendações do guia da SBR é que pacientes com doenças reumáticas imunomediadas em alta atividade inflamatória e uso de prednisona ≥ 10 mg/dia (ou equivalente), que estiverem em pulsoterapia com metilprednisolona e/ou ciclosfosfamida estejam no topo da escala de priorização para a vacinação. O grupo lembrou, entretanto, que a presença de uma doença reumática imunomediada, por si só, já confere maior risco de infecção que a população geral.

“É de fundamental importância avaliar o grau de atividade inflamatória da DRIM e as medicações utilizadas para o tratamento, definindo assim a subpopulação de pacientes com maior grau de imunossupressão e maior vulnerabilidade à infecção grave e pior evolução da covid-19”, destacaram os especialistas da SBR.

A entrevista ao Medscape foi concedida pela Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da SBR, composta pelas médicas Dra. Alessandra Andrade, Dra. Ana Carolina Tavares, Dra. Blanca Bica, Dra. Joana Carvalho, Dra. Katia Baptista, Dra. Ketty Lysie Machado, Dra. Maria Fernanda Guimarães, Dra. Viviane Souza e pelo médico Dr. Vitor Cruz.

 

Matéria completa : https://portugues.medscape.com/verartigo/6505983#vp_1

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